Contabilidade e Crise: Lições do Caso Banco Master
- Focosmais Contabilidade

- há 15 horas
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Crises bancárias não começam no dia da liquidação. Elas começam muito antes, na deterioração silenciosa da liquidez, do capital e, principalmente, da qualidade da informação.
O caso Banco Master, com liquidação extrajudicial decretada e posterior acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), reforça uma verdade incômoda: a contabilidade não é burocracia. Ela é infraestrutura de estabilidade.
Quando falha ou quando não reflete com tempestividade a substância econômica o impacto ultrapassa a instituição e atinge poupadores, empresas, credores e a confiança no sistema financeiro.
Crises não surgem do nada: o problema da informação
Em episódios dessa natureza, surgem elementos recorrentes:
Tensões de liquidez
Estrutura de funding fragilizada
Descasamentos entre ativos e passivos
Questionamentos sobre calibragem regulatória
Mas há um núcleo comum: qualidade da informação financeira.
Bancos operam essencialmente com riscos futuros — crédito, mercado e liquidez. Portanto, a contabilidade não “fotografa” apenas o passado. Ela precisa traduzir, com prudência, o risco embutido nos ativos e obrigações.
Quando essa tradução não é fiel, o mercado precifica errado.E quando a correção vem, ela é abrupta.
O tripé da prevenção: registro, mensuração e transparência
Crises costumam revelar falhas em três pontos centrais:
1. Registro sem substância
Operações complexas exigem rastreabilidade e lastro verificável. Fragilidade documental amplia conflitos sobre direitos e obrigações.
2. Mensuração desconectada do risco econômico
Reconhecer um ativo não basta. É preciso mensurá-lo considerando risco, liquidez e recuperabilidade — especialmente em provisões e marcações a mercado.
3. Divulgação insuficiente
Transparência não é excesso de notas explicativas. É permitir que investidores entendam premissas, incertezas e materialidade dos números.
Contabilidade, controles internos e auditoria precisam atuar de forma integrada.Sem esse alinhamento, o risco cresce no escuro.
Perdas esperadas: reconhecer antes que vire insolvência
O ponto mais sensível em crises de crédito é a tempestividade.
Modelos de perdas esperadas e políticas robustas de provisão existem justamente para obrigar a instituição a reconhecer deterioração antes que ela se torne irreversível.
Isso não elimina risco bancário — mas reduz o risco invisível.
E risco invisível é o mais perigoso.
Disclosure como disciplina de mercado
O Pilar 3 de Basileia trata a transparência como instrumento de disciplina de mercado.Sem disclosure adequado, investidores não conseguem diferenciar risco saudável de risco excessivo.
O resultado é conhecido:
precificação distorcida
fuga abrupta de funding
crises de confiança
Mais opacidade significa menos capacidade de reação preventiva.
O que o caso ensina
A contabilidade não é um escudo mágico contra insolvência.O risco é inerente ao sistema bancário.
Mas contabilidade de alta qualidade:
Reduz surpresas
Melhora a ação preventiva
Diminui o custo social e jurídico
Protege depositantes e investidores
Fortalece a confiança sistêmica
Em um país com alta complexidade regulatória e forte dependência do crédito bancário, discutir contabilidade como infraestrutura de estabilidade não é academicismo.
É agenda econômica. É proteção social. É governança aplicada. Nos acompanhe também nas mídias sociais:
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